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Não
há como negar a importância do LED ZEPPELIN para a música.
As inovações apresentadas pelo grupo, ao longo dos anos,
possibilitou ao rock'n'roll uma expansão de seus horizontes, de
maneira inédita. Durante o período de sua existência (1968-1980),
o LED ZEPPELIN sempre esteve à frente dos outros grupos, devido
ao talento e criatividade singular de seus quatro membros.
A história do LED ZEPPELIN iniciou-se em 1968, com a definitiva
dissolução do grupo Yardbirds. O guitarrista Jimmy Page
havia "herdado" os direitos e os deveres dos Yardbirds.
Na relação dos deveres, haviam alguns shows pendentes na Dinamarca
e em Londes. Não restando muitas alternativas, Jimmy iniciou o
recrutamento de músicos para integrar sua nova banda. Para os vocais,
acertou com Terry Reid, que na época fazia sucesso na Inglaterra.
Para a bateria, Jimmy convidou B. J. Wilson,
mas este havia sido recém contratado pelo grupo Procol Harum.
Para o contra-baixo, foi mais fácil. John Paul Jones,
um renomado produtor/arranjador/músico de estúdio, e antigo conhecido
de Page, ofereceu-se para o posto, sendo tranquilamente aceito.
Quando a banda estava quase completa, Page recebe um telefonema
de Terry Reid, informando de sua desistência em participar
do grupo. Como consolo, Terry indica um jovem cantor da cidade de Birminghan,
chamado Robert Plant. Ao assistir uma apresentação,
Jimmy não pôde crer como Plant ainda não fazia
sucesso. Conheceram-se e, pouco tempo depois, haviam identificado várias
afinidades musicais em comum. Page não hesitou em convidá-lo,
e Robert, por sua vez, não hesitou em aceitar.
Quando Jimmy comentou que apenas faltava o baterista para
completar a banda, Robert imediatamente indicou um velho conhecido,
com quem já havia trabalhado em duas oportunidades. Seu nome: John
Bonham. Quando Page viu Bonham em ação,
não teve dúvidas, havia encontrado o baterista. E assim, a banda
estava completa, inclusive com a contratação do empresário,
Peter Grant, que já havia trabalhado com Page alguns anos
antes.
Imediatamente os quatro começaram a ensaiar, visando aqueles
shows pendentes na Dinamarca, e mais alguns em Londres. O grupo
foi batizado de New Yardbirds. O repertório foi formado com músicas
dos Yardbirds, Beatles, Chuck Berry, etc, além
de algumas composições prórprias. Ao cumprirem as pendências,
concluíram que o nome deveria ser alterado. Algumas sugestões:
"The Mad Dogs" e "The Whoopie Cushion". Por sorte, durante
um ensaio, receberam a ilustre visita de Keith Moon, baterista
do The Who. Ao ouvir o som da banda, Keith comentou: "O som
de vocês é pesado, mas ao mesmo tempo vôa, como um
(lead zeppelin) zepelim de chumbo". Pronto, o nome havia sido dado.
Por sugestão de Peter Grant, a letra "a" foi retirada,
ficando definitivamente: LED ZEPPELIN.
Com o novo nome, fazem a estréia na Universidade de Surrey,
em 15 de outubro de 1968. Com muito empenho e dedicação, o repertório
próprio havia crescido consideravelmente, e o entrosamento dos músicos
era fantástico, parecendo existir uma "alquimia" entre
eles. Entraram no "Olympic Studios" e apenas 30 horas após,
já haviam gravado material suficiente para um álbum. Mas
na Inglaterra ninguém queria saber do grupo. Percebendo isso, Peter
Grant partiu para os EUA, tentando encontrar melhores perspectivas.
Foi quando a sorte mostrou sua cara. Ao chegar na "Atlantic Records",
Peter conheceu a cantora Dusty Springfield, na época
a estrela da gravadora. Ao comentar que o novo grupo era formado por
Jimmy Page e John Paul Jones, Dusty, que anos antes
havia trabalhado com ambos quando eram músicos de estúdio, imediatamente
recomendou a contratação do grupo aos executivos, dando
seu aval e testemunhando acerca do grande talento que possuíam.
E assim, Peter Grant retornou dos EUA com um contrato de cinco anos,
e um adiantamento de 200 mil dólares.
Em janeiro de 1969, o álbum "Led Zeppelin" foi
lançado nos EUA. Muito bem recebido pelo público (pela crítica
nem tanto),o disco surpreendeu pela qualidade dos músicos e pelas
inovações musicais. Não parecia uma banda formada há
apenas poucos meses. Devido ao sucesso do LP, o grupo realiza uma
turnê pelo país, juntamente com as bandas Vanilla Fudge
e Iron Butterfly. Em pouco tempo, as apresentações
do LED começaram a ofuscar às dos outros grupos.
Durante as viagens, o grupo compõe material suficiente para
outro álbum. E, no final de 1969, é lançado "Led Zeppelin
II". Se o primeiro LP havia inovações, neste então,
nem se fala. O disco é extremamente pesado, causando uma verdadeira revolução
sonora no mundo do rock'n'roll. O rock nunca mais seria o mesmo.
As vendas estouram, e o grupo já começa a adquirir status
de "rockstar". Pela primeira vez, uma música dos Beatles
é desbancada do primeiro lugar; "Let It Be" não suportou
o peso de "Whole Lotta Love". Desta vez sem companhias, realizam uma
turnê costa-a-costa pelos EUA, quebrando recordes por onde se apresentavam.
Nesta época iniciou a eterna antipatia do LED com a imprensa e vice-versa.
Não importava o quanto eles fossem brilhantes, ou quantos recordes
eles quebrariam, que a imprensa simplesmente os ignorava. Interessante
é que o grupo jamais contratou um divulgador. Sem o apoio da mídia
e sem divulgação, conclui-se que o mega- sucesso alcançado
pelo ZEPPELIN foi conquistado praticamente de boca-a-boca. Outro detalhe é
que todos os discos da banda tiveram produção assinada por
Jimmy Page. Esse fato, aparentemente sem importância, demonstra
um pouco a diferença do LED para os demais grupos, pois é
sabido que o produtor é quem comanda um disco e, talvez o LED seja o
único grupo que gravou realmente o que quiz, como quiz e aonde
quiz, sem interferências externas.
Neste contexto de independência e completamente avessos aos
modismos, lançam em 1970, o álbum "Led Zeppelin III".
Quando todos esperavam toneladas de decibéis, eis que lançam
um trabalho 50% acústico. É claro que haviam as músicas
pesadas, mas um lado inteiro só com "violões"
foi uma demosntração de independência e ousadia. As vendas
foram muito boas, entretanto, não atingiram os níveis dos
trabalhos anteriores. Mais uma turnê costa-a-costa, shows pela Europa
e uma excurssão pelo Japão, onde a canção
"Immigrant Song" era uma verdadeira "mania". Quando estiveram
tocando na cidade de Hiroshima, doaram todo valor arrecadado, em prol
das vítimas da bomba atômica.
Em 1971, lançam o quarto álbum. Para desespero dos
executivos da "Atlantic", o LP é lançado sem qualquer
referência da banda. Apenas um encarte contendo a letra de uma música
(Stairway to Heaven) e quatro símbolos baseados nas Runas. E, de
fato, as vendas do disco começaram mornas. Mas quando as pessoas perceberam
que aquele disco do "velhinho" era do LED, e ainda por cima
tinha "Black Dog", "Rock and Roll" e "Stairway to Heaven",
as vendas estouraram novamente. Trata- se de um dos melhores
discos de rock jamais produzidos. É o equlíbrio e a síntese
entre o leve e pesado, o elétrico e o acústico. Imediatamente
"Stairway to Heaven" tornou-se um mega hit, o hino dos anos
70. "Black Dog" é copiada até os dias atuais.
Esse disco demonstrou o talento singular e espírito invador dos quatro
músicos, de maneira definitiva. Ninguém mais duvidava que
o LED era a maior banda de rock em atividade. No resto do ano e começo
de 1972 viajam realizando inúmeros shows. O restante de 1972, praticamente
tiram férias.
Em 1973, é lançado o álbum "Houses of
the Holy". O disco alcança platina em poucos dias. Esse trabalho
aumentou ainda mais o público da banda, pois quem gostava do LED,
não gostou muito do disco, mas quem não gostava muito do LED,
gostou do disco. Esse álbum trouxe algumas novidades: deram um
título ao disco e publicaram as letras de todas as músicas. Trabalho
rechedo de novas influências, tais como: soul music, reggae, rock-progressivo
e música erudita, provou toda competência e maturidade
dos músicos. Neste ponto da carreira, o LED virou "mania";
eles inauguraram a era do "mega":
megas-espetáculos, megas-turnês, aviões, orgias,
milhões de dólares, hotéis detonados, etc
Somente em 1975 seria lançado o próximo álbum.
Chamado "Physical Graffiti", em formato de disco-duplo e lançado
pela "Swan-Song", gravadora própria do grupo, este foi
mais um mega-sucesso produzido pelo LED. Uma das raras unanimidades, foi
muito bem aceito tanto pela crítica, quanto pelo público. De fato,
trata-se de um excelente trabalho, muito eclético com caprichada
produção, cujo ponto alto é a música "Kashmir";
este disco contém algumas "sobras" de trabalhos anteriores.
Novamente realizam gigante turnê costa-a-costa pelos EUA e
Europa. No final do ano, Plant e sua família sofrem grave acidente
automobilístico na Grécia, obrigando o grupo a cancelar alguns
compromissos. Robert fica preso à uma cadeira- de- rodas
durante alguns meses. No início de 1976, com Plant ainda na cadeira-de-rodas,
dirigem-se à Alemanha e iniciam a gravação do próximo
LP. Gravado em apenas 18 dias, e lançado alguns meses após, "Presence"
resume o momento baixo-astral que estavam vivendo. É o trabalho
menos inspirado da banda, entretanto, com ótimos momentos, como "Achilles
Last Stand". Ironicamente, em termos de técnica, "Presence"
é um dos melhores trabalhos de Page como guitarrista, onde
toca de maneira mais "limpa", sem sua tradicional pegada blues.
Apesar dos pesares, "Presence" ganha disco de platina antes
mesmo do lançamento, tornando-se um grande sucesso comercial.
Como a recuperação de Plant estava um pouco
lenta, eles decidem não sair em turnê naquele momento. Para preencher
o vazio, é lançado o filme e respectiva trilha sonora "The
Song Remains the Same" , obtendo muito sucesso. Na verdade, trata- se
de alguns shows realizados em 1973, no "Madson Square Garden", adicionado
com alguns clips. No Brasil foi lançado com o título
"Rock é Rock Mesmo" e igualmente fez bastante sucesso. Mesmo
não sendo das melhores apresentações do grupo, existem
momentos marcantes, como em "Dazed and Confused", "The Song Remains
the Same", "The Rain Song", etc. Estranhamente, a
música "Celebration Day" consta no disco, mas não consta
no filme; enquanto que "Black Dog (versão reduzida)",
"Since I'Ve Been Loving You" e "Heartbreaker" estão
no filme, mas não estão no disco. Além disso, no filme,
o solo de Page em "No Quarter" foi cortado, assim como
pequenos trechos de "Dazed and Confused".
Com Robert Plant plenamente em forma, em 1977, iniciam a
maior turnê da carreira, inclusive com a utilização de raio
laser e outros efeitos especiais. Estava tudo indo muito bem, quando uma
verdadeira tragédia pairou sobre o grupo: Karac Plant, filho
de Robert, faleceu, vítima de uma virose não detectada.
Obviamente as datas posteriores foram canceladas, e o mundo só
voltaria a ouvir notícias do LED ZEPPELIN em dezembro de 1978, quando
se reúnem em Estocolmo, para trabalhar no material do próximo
disco. Foi anunciado que em maio de 1979, o ZEPPELIN faria uma apresentação
no festival de "Knebworth", quase dois anós após
a última aparição em público. Quinze dias antes
da apresentação, já haviam pessoas acampadas, para
garantir um bom lugar. De fato, foi um sucesso estrondoso, onde qualquer dúvida
acerca da imensa popularidade da banda foi desfeita.
No mês de agosto, é lançado o nono disco, chamado
"In Through the Out Door" e, no final do mês, todos os nove
álbuns figuravam na Billboard. Trata-se de um LP muito eclético,
com pitadas de música latina e overdose de John Paul Jones.
Há o grande sucesso "All My Love", canção
que Plant escreveu em homenagem a seu filho.
No início de 1980, iniciam turnê européia, já
se preparando para mais uma gigantesca excursão pela América do
Norte, que começaria em outubro. Após breve descanso durante
o mês de agosto, em setembro iniciaram-se os ensaios para a turnê
norte-americana. Mas, no dia 25 de setembro de 1980, outra tragédia
recai sobre o grupo: o baterista John Bonham é encontrado
morto, na cama em que dormia, na mansão de Jimmy Page, tendo sido
sufocado pelo próprio vômito, após excessivo consumo
de vodka. E o mundo se priva do incomparável talento de John
Bonham.
Em 04 de dezembro de 1980, o grupo publicou nota oficial, comunicando
o fim da maior banda do planeta.
No entanto, a música do LED ZEPPELIN jamais morrerá.
Quanto mais o tempo passa, mais me surpreende a extraordinária visão,
incomparável talento e inesgotável criatividade que o LED possuía.
E que a canção sempre permaneça a mesma !
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Laudo Paroni Júnior